Inventário Florestal

O Inventário florestal é um processo para obter-se informações sobre povoamentos florestais, nativos ou plantados, frequentemente, estimando-se a produção de madeira dos troncos em uma área delimitada (KÖHL; MAGNUSSEN; MARCHETTI, 2006; SOARES; PAULA NETO; SOUZA, 2012)⁠. Aplica-se às diversas finalidades, tais como, estimar a produção de madeira em volume ou peso, no presente ou futuro, momentânea ou contínuamente; indicar as taxas de crescimento; subsidiar as práticas do manejo florestal; valorizar o ativo florestal; contribuir para os planejamentos estratégicos dos produtores ou consumidores; analisar a capacidade produtiva dos sítios florestais; quantificar a fixação de carbono; avaliar a sustentabilidade da produção; cumprir os regulamentos para autorização de supressão de vegetação nativa e exploração sob o regime de plano de manejo florestal sustentado; estudar a fitossociologia e a ecologia florestal; conhecer os processos de regeneração natural; viabilizar a conservação dos recursos naturais; elaborar e executar as políticas públicas, etc.

Fundamenta-se nas medições das árvores e nos processos de amostragem que permitem extrapolar os resultados pontuais para áreas maiores, delimitadas ou não. Para tanto, se apresentam as técnicas básicas de Dendrometria, para as medições das árvores, e de Estatística, para os sistemas de amostragem e extrapolação dos resultados num determinado intervalo de confiança, de acordo com Scolforo e Mello (1997)⁠, Scolforo e Figueiredo Filho (1998)⁠, Köhl, Magnussen e Matchetti (2006)⁠⁠, West (2009)⁠, e Soares, Paula Neto e Souza (2012)⁠.

As condições para aplicação da estatística clássica, normalidade, casualização e repetição, não garantem a independência das amostras, quando existe dependência espacial entre as variáveis (VIEIRA, 2000)⁠. Nessa condição é possível utilizar a geoestatística desenvolvida por Krige (1951)⁠ e aperfeiçoada pela Teoria das Variáveis Regionalizadas de Matheron (1971)⁠. Para isso, se considera a distância entre as amostras coletadas no campo e verifica-se a autocorrelação espacial entre elas. A Geoestatística permite analisar a variabilidade espacial de atributos dendrométricos, pedológicos e fisiográficos, assim como ajustarem-se modelos de regressão espacial que estimem os valores com maior precisão do que a estatística clássica (ANDRADE, 2013; CARVALHO; SILVEIRA; VIEIRA, 2002; HENGL, 2009; KANEGAE JR. et al., 2007; LIMA et al., 2010; MELLO, 2004; MELLO et al., 2006; ODA-SOUZA et al., 2008; PEREIRA et al., 2011; RUFINO et al., 2006; SILVA et al., 2009)⁠.

As características espaciais do inventário florestal, associadas à crescente disponibilidade de dados georreferenciados em formato digital e a ampla disponibilidade de poderosos sistemas de informação geográfica (SIG) permitem, conjuntamente, a realização das análises geoespaciais. Muitas vezes precisam ser associados a outros dados, como os do solo, fauna, populações residentes nos entornos, pragas, doenças, fenômenos naturais, incêndios, ações antrópicas, etc. Nesse trabalho se apresentam as técnicas básicas de Geoprocessamento aplicadas ao inventário, conforme Rocha (2000)⁠, Câmara, Monteiro e Davis (2001)⁠, e Köhl, Magnussen e Matchetti (2006)⁠.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, M. C. R. DE. Proposta de redução de custos em inventários florestais por meio do uso de técnicas de geoprocessamento. São José dos Campos, SP: INPE, 2013. Disponível em: <http://wiki.dpi.inpe.br/lib/exe/fetch.php?media=ser300:trabalho_geoproce....

CÂMARA, G.; MONTEIRO, A. M.; DAVIS, C. Geoprocessamento : Teoria e AplicaçõesINSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAS. São José dos Campos, SP: INPE, 2001. Disponível em: <http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/>. Acesso em: 1 out. 2015.

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WEST, P. W. Tree and forest measurement. 2. ed. New York: Springer, 2009.

Roteiro para o Inventário Florestal do Instituto do meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA)